Destaques
Das notícias urgentes às histórias culturais, entregamos um conteúdo que reflete o espírito do Nordeste

Últimas notícias
Novo data center de R$ 181,7 bilhões reforça expansão da ZPE Ceará e atrai investimentos em tecnologia

Cultura
Livraria Bar Literário: 35 anos de resistência e cultura no centro de Fortaleza.

Artigos de opinião
Ciro Gomes chama Renan Santos, do MBL, de ‘talento’ e ‘interessante para os jovens’...
Fernando Albuquerque carrega uma extensa trajetória como livreiro, se dedicando há 35 anos à paixão pelos livros em tempos modernos. Ele está à frente da Livraria Bar Literário, um espaço cultural localizado na Travessa Morada Nova, na histórica Praça dos Leões, que busca reavivar o logradouro e o Centro de Fortaleza.

A história de Fernando nos sebos começou na rua Pedro Pereira, seguiu pela venda de livros na calçada da própria Praça dos Leões, e há cerca de oito anos, encontrou um lar fixo na Livraria Bar Literário. O espaço não é apenas um ponto de venda de livros; é um local de resistência cultural, união e convivência, contribuindo para a revitalização do centro da cidade. Além dos livros, o ambiente também oferece bebidas e drinks, intitulados ”drinks literários”, se tornando um ponto de encontro para quem aprecia boa leitura e momentos de descontração.
Para Fernando, a livraria surgiu com o Bar Literário para atrair pessoas ao centro da cidade, combinando livros e bebidas para aumentar a renda. “A mistura deu certo”, afirma. O local se tornou um ponto de encontro para quem gosta de ler e socializar. “Aqui, ideias se encontram”, diz ele, destacando o ambiente democrático onde leitores se conhecem e até começam relacionamentos.
Desde o retorno da livraria, a Travessa Morada Nova se transformou em um espaço de convivência e cultura, acolhendo programações mensais que vão do coco ao reggae, o que lhe rendeu o apelido de “Beco do Tambor.” Além disso, o local é palco para saraus, lançamentos de livros e participa ativamente de eventos literários da cidade. Para Fernando, é essencial fortalecer esses espaços que ainda resistem nas ruas e praças, mantendo viva a cultura dos sebos e da literatura.
Serviço: Livraria Bar Literário
Funcionamento: Segunda a sábado, das 10h às 20h
Local: Travessa Morada Nova, 20 – Centro, Fortaleza
Mais informações: @livrariaebarliterario
O trabalho de Fernando Albuquerque e da Livraria Bar Literário é uma celebração da cultura, um respiro de resistência e união no coração da cidade, provando que livros, convivência e eventos culturais ainda têm espaço e importância nos tempos de hoje.

Apoiado pelo PL e outros partidos à direita, tucano descarta apoio a Flávio, mas reforça a pregação antipetista e fala em colocar um 'freio nos abusos do STF'

Facções no Ceará: jornal de 1993 registra presença do Comando Vermelho durante governo Ciro Gomes
Ciro Gomes chama Renan Santos de “talento”, mas diz que “falta maturidade”
O candidato a governador do Ceará Ciro Gomes (PSDB) teceu elogios ao presidenciável Renan Santos (Missão) durante uma coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (25). Para o ex-governador do Ceará, o fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) "é um talento", mas apontou imaturidade.

"Renan é, definitivamente, um talento. Claro que falta maturidade, ainda tem uma estrada grande para compreender, mas eu acho que a inteligência dele, a coragem dele de negar todo o sistema é interessante, especialmente para os jovens brasileiros", afirmou.
A Federação PSDB/Cidadania decidiu adotar neutralidade na disputa presidencial de 2026 e não lançará candidato próprio ao Palácio do Planalto. Ciro reforçou que não tem compromisso com nenhum presidenciável, apesar de receber o apoio do PL de Flávio Bolsonaro, mas afirmou que Renan "mandou um recado" em busca de diálogo e que também mantém o canal aberto com o candidato do PSD.
"Eu também troco ideias com o Ronaldo Caiado. Eles veem em mim uma pessoa que escreveu livros sobre o Brasil, uma pessoa que já foi ministro da Integração Nacional e ministro da Fazenda. Eu tenho um punhado de ideias e de pessoas no Brasil inteiro disponíveis para ajudar a qualquer um que me procure para ser ajudado", avaliou.
Havia negociações em aberto para que o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) disputasse a Presidência ou o governo de Minas Gerais. Principal adversário da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2014, o presidente nacional do PSDB anunciou que, na verdade, encerrará um ciclo de quatro décadas e não aparecerá nas urnas em 2026, para focar na resolução da desidratação histórica de seu partido.
A disputa no Ceará gerou uma divisão interna no PL. O apoio a Ciro culminou em um descontentamento público por parte de Michelle Bolsonaro (PL). A ex-primeira-dama publicou um vídeo em que afirmou ter sido maltratada por Flávio após expor seu posicionamento. A crise arrefeceu, mas não antes de levar Michelle a renunciar ao cargo de presidente nacional do PL Mulher. Agora, a esposa de Bolsonaro disputará o Senado no Distrito Federal.
Novo data center de R$ 181,7 bilhões reforça expansão da ZPE Ceará e atrai investimentos em tecnologia
A aprovação de um novo projeto de data center na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Pecém reforça uma transformação que vem ganhando força no Ceará, a chegada de grandes investimentos ligados à tecnologia e à economia digital. Autorizado pelo Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE), o empreendimento da Voltalia prevê investimento de R$ 181,7 bilhões e deve gerar 2,3 mil empregos diretos durante a implantação e outros 400 na fase de operação.

O projeto também prevê a ampliação da geração de energia eólica e solar para atender à demanda do centro de processamento de dados, além do uso de água de reúso na refrigeração dos equipamentos. A iniciativa se soma a outros projetos de data centers já planejados para a ZPE e amplia a presença do Ceará em um segmento que exige grande disponibilidade de energia, conectividade e infraestrutura.
A movimentação acontece em uma área que já possui uma vocação industrial consolidada. A ZPE Ceará foi a primeira Zona de Processamento de Exportação a entrar em operação no Brasil e possui infraestrutura integrada ao Porto do Pecém, além de benefícios tributários, cambiais e administrativos voltados a empresas com atuação direcionada ao mercado externo.
Atualmente, a área alfandegada da ZPE conta com empresas como ArcelorMittal, White Martins e Phoenix. A siderúrgica representa o maior investimento entre elas, de US$ 5,4 bilhões, enquanto White Martins e Phoenix somam investimentos de US$ 111,3 milhões e US$ 86 milhões, respectivamente.
A diferença agora está no perfil dos novos projetos. Além da indústria pesada, a ZPE vem atraindo empreendimentos relacionados a energias renováveis, hidrogênio verde e infraestrutura digital. O próprio Governo do Ceará já apresenta os data centers como parte de uma estratégia para transformar o Estado em uma base tecnológica, aproveitando a oferta de energia renovável e a posição geográfica favorável para conectividade.
Outro projeto de grande escala anunciado para a ZPE é o da Omnia Data Centers, que prevê mais de R$ 200 bilhões em investimentos ao longo de quatro fases até 2033. A primeira etapa, já em obras, tem aporte estimado em R$ 55 bilhões.
Esse movimento pode gerar impactos que vão além dos próprios data centers. Uma das estratégias em discussão é aproveitar os voos cargueiros que chegam ao Ceará com equipamentos tecnológicos para transportar produtos cearenses na viagem de retorno, ampliando as possibilidades de exportação de itens como frutas e calçados.
A previsão é de que, a partir de 2027, cerca de 15 cargueiros por mês cheguem da China ao Ceará com equipamentos destinados à construção do data center.
Com isso, a ZPE passa a ocupar um papel ainda mais estratégico na economia cearense. Além de funcionar como plataforma para exportações industriais, o complexo começa a se consolidar como ambiente para investimentos em tecnologia, energia e infraestrutura digital, aproximando o Ceará de uma nova frente de desenvolvimento econômico.
VEJA aponta “espírito bolsonarista” na campanha de Ciro Gomes ao Governo do Ceará

A campanha de Ciro Gomes ao Governo do Ceará vem assumindo uma feição cada vez mais próxima do bolsonarismo.
A constatação é da revista VEJA, que publicou reportagem nesta quinta-feira (27) intitulada “O espírito bolsonarista que move a campanha de Ciro Gomes ao governo do Ceará”.
Embora Ciro tente se apresentar como uma alternativa independente de Lula e de Bolsonaro, sua campanha tem como aliados nomes do campo político da direita. Entre eles estão o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), candidato ao Senado em sua chapa e aliado de Jair Bolsonaro, e Capitão Wagner (União Brasil). Ciro também recebeu o apoio de André Fernandes, presidente estadual do PL e um dos principais nomes do bolsonarismo no Ceará.
A aproximação não se limita às alianças eleitorais. Segundo a VEJA, o discurso de Ciro incorporou pautas associadas ao bolsonarismo, como críticas ao Supremo Tribunal Federal e oposição ao uso de câmeras corporais por policiais. Recentemente, ao defender seus candidatos ao Senado, Ciro afirmou que eles deveriam ajudar a “colocar um freio” em supostos abusos de setores do STF.
Em outra reportagem publicada no mesmo dia, a própria VEJA mostrou que o candidato procura o voto de eleitores de Lula e de Flávio Bolsonaro, afirmando que sua prioridade seria apenas o Ceará.
Na prática, porém, a composição da chapa e as alianças construídas para a eleição colocam Ciro cada vez mais próximo do bolsonarismo.
Entre o Centro e o mar, bairro Moura Brasil preserva memória e constrói novas histórias em Fortaleza
Bairro reúne memórias, tradições e iniciativas comunitárias que ajudam a construir sua identidade no litoral da capital cearense.
O Moura Brasil, em Fortaleza, reúne moradores que trabalham para preservar a história da comunidade e mostrar uma identidade que, segundo eles, vai além dos estigmas associados ao bairro. Entre o Centro e o mar, a região guarda memórias de diferentes gerações e também iniciativas que buscam transformar a realidade local.
A trajetória do bairro é marcada pela ocupação de famílias e trabalhadores, pela relação com o litoral e pela construção de vínculos comunitários. Aos 72 anos, Francisco das Chagas, que nasceu e foi criado no Moura Brasil, acompanhou parte dessas mudanças e mantém no bairro sua casa, sua família e sua rotina.
Ao falar sobre a vida na comunidade, Francisco contesta a imagem de que o local seria necessariamente perigoso. Para ele, a percepção de quem não conhece o bairro pode contribuir para a construção desse estigma.

"É muito bom [viver aqui]. É bom até demais. Melhor que outras favelas que tem por aqui. Aqui é uma das melhores. [Falam que é um bairro perigoso] porque o pessoal não conhece. O pessoal não conhece e acha que é perigoso, mas aqui não é perigoso. Aqui ninguém faz mal a ninguém. Aqui você anda à noite, passa a noite pra lá e pra cá e não tem nada e nada acontece. Agora, se vem de fora fazer maldade, aí é outra coisa. Acontece. Mas aqui é um bairro muito bom."
História do Moura Brasil começa na década de 1930
A ocupação da área ganhou força a partir da década de 1930, quando famílias e trabalhadores passaram a ocupar espaços próximos à estação ferroviária e ao litoral.
O historiador Lucas Nogueira explica que esse processo ocorreu em um período de crise e negligência, especialmente durante a seca de 1932. Ele falou com a TV Cidade Fortaleza sobre o assunto:
"É um bairro que leva como nome a homenagem ao médico cearense nascido em Pereiro. Só começou a ser sentido e ocupado num cenário de caos, de crise e de negligência. Eu estou falando dos anos de 1930, em especial da seca de 1932. Quando a cidade de Fortaleza tinha o Centro como parte da Belle Époque e da riqueza comercial, algumas pessoas saíam da estação ferroviária, hoje parte da Estação das Artes, anteriormente chamada de estação João Felipe, e passaram a ocupar as áreas ao redor."
A história do Moura Brasil permanece presente nas casas, nas famílias e nas tradições construídas ao longo das décadas. Para os moradores, a identidade do bairro também é formada pelas relações entre as pessoas que vivem na comunidade.
A proximidade com a praia é outro aspecto lembrado por Francisco:
"Ah, bom demais. Tem qualidade de vida. Porque você não vê ninguém doente, você não vê ninguém... Você vê todo mundo de saúde."
Esporte é usado para criar oportunidades no bairro
Enquanto a memória ajuda a preservar o passado, iniciativas comunitárias buscam criar novas possibilidades para as gerações mais jovens. Há 19 anos, Wagner Menezes desenvolve atividades esportivas voltadas para crianças e adolescentes do Moura Brasil por meio da Escola de Surf do bairro.
Para ele, o projeto teve impacto na realidade da comunidade e contribuiu para reduzir situações de violência.
"E isso mudou muito a realidade do nosso bairro, acho que diminuiu muito a violência, até porque o nosso projeto já vem há 19 anos. A gente faz uma redução de danos e é super importante ter um local como esse."
A iniciativa utiliza o esporte como uma das ferramentas de atuação dentro da comunidade. O projeto integra o conjunto de ações realizadas por moradores para criar espaços de convivência e oportunidades para crianças e adolescentes.
Além das atividades desenvolvidas no presente, moradores também atuam na preservação da memória do bairro. A proposta é registrar histórias que, segundo os envolvidos, permaneceram por muito tempo fora dos livros e dos registros oficiais.
Débora Soares, diretora do Núcleo de Patrimônio Cultural do Moura Brasil (Nupac), destaca o papel dos moradores mais antigos nesse processo. Eles são responsáveis por compartilhar lembranças, fotografias e relatos sobre diferentes períodos da comunidade:
"Um protagonismo para os moradores que todos os dias estão aqui, lutando, vivendo e querendo transformar o Moura Brasil num lugar melhor. A gente tem os moradores mais antigos, que são os guardiões da memória, como a dona Lúcia, o seu Raimundo da Júlia... Eles compartilham com a gente como era o bairro antes, mostram imagens antigas. Nós, enquanto coletivo, e também todos os projetos, as lideranças que são aqui do bairro, atuam em conjunto para transformar a nossa realidade e mostrar para todo mundo quem é o Moura Brasil de verdade, as pessoas..."
Anderson Gurgel
21 de ago. de 2026 - 13:13
Facções no Ceará: jornal de 1993 registra presença do Comando Vermelho durante governo Ciro Gomes


A discussão sobre quando as facções criminosas chegaram ao Ceará voltou ao centro do debate entre Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT).
Nos dois confrontos entre os candidatos, promovidos pela TV Band e pelo Grupo O Povo, o atual governador afirmou que a presença do Comando Vermelho no Estado remonta à década de 1990, quando Ciro governava o Ceará. Ciro, por sua vez, tem apontado 2015 e 2016 como o período de expansão das facções no Estado.
Um registro histórico publicado pelo jornal O POVO em 17 de outubro de 1993, durante a gestão Ciro, ajuda a contextualizar a discussão. A manchete da edição era direta: “PM estoura em Fortaleza sede do Comando Vermelho”.

Segundo a reportagem, policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar estouraram uma sede local da organização criminosa no bairro Álvaro Weyne. No imóvel, foram encontrados documentos roubados, material utilizado para embalar drogas, fardas e capuzes, além de inscrições relacionadas ao Comando Vermelho.
A reportagem registra ainda que a polícia já investigava a existência de uma filial do CV em Fortaleza, identificada a partir de inscrições do grupo em muros da cidade, especialmente em bairros da Zona Oeste.
No debate da Band, em 9 de agosto, Elmano já havia feito a mesma cobrança: “A semente do Comando Vermelho chegou ao Ceará em 1993. Nessa época, o governador não era eu, era você.” No debate do O POVO, realizado ontem, o governador voltou ao tema e afirmou que “quando ele foi governador, as facções chegaram e se implantaram”, citando as matérias da imprensa da época.
Fontes:
Jornais cearenses registram episódios que mostram a expansão das facções criminosas no Ceará desde os anos 1980. O material reúne notícias publicadas a partir de 1986, com registros de crimes e da atuação de organizações criminosas no Estado.
Entre os primeiros casos destacados está, em 1986, o ataque à Joalheria King Joias e um caso de sequestro e assassinato atribuídos ao Comando Vermelho (CV). Em 1992, as edições registram a presença da facção no Ceará em um caso envolvendo o sequestro da empresária Paula Queiroz, em Fortaleza. No ano seguinte, uma tentativa de fuga em massa no Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS) teria revelado uma base do CV na capital.
Os registros mostram ainda a expansão da atuação criminosa durante os anos 1990, com prisões de integrantes, avanço do tráfico em bairros de Fortaleza e conexões com o tráfico internacional.
Já nos anos 2000, as edições registram a chegada do Primeiro Comando da Capital (PCC) ao sistema prisional cearense. Entre 2002 e 2006, aparecem notícias sobre o fortalecimento das organizações criminosas, ataques a carros-fortes, tráfico de armas e articulação das facções dentro dos presídios.
https://mais.opovo.com.br/reportagensexclusivas-faccoes-ceara-historia-ataques-fortaleza-ceara.html
Queremos ouvir sua opinião, participe, enviei sugestões, vamos fazer do "O Verbo Ceará" nosso encontro para promover cultura e debate.
Conectando leitores às histórias que importam diariamente
© 2026 Junte-se a nossa comunidade hoje mesmo
Leia o blog